Arrendar ou não arrendar: eis a questão.

Uma das decisões mais importantes no âmbito familiar é a escolha da habitação.  Aliás, muitas uniões e casamentos acabam por beneficiar de um “empurrãozinho” de índole mais financeira: a aquisição de habitação ou o arrendamento são muito mais fáceis num contexto de partilha de despesas do que em projetos de família monoparental. É muito importante, porém, que a pretexto de uma maior facilidade inicial não se dê um passo “maior do que a perna” no contexto da relação amorosa, trocando-se uma dificuldade presente por um muito maior problema no futuro. A taxa de sucesso de recasamentos é inferior à que se verifica nos casamentos de primeira viagem também porque não é concedida à relação o tempo necessário para se aprofundar o conhecimento antes da vivência comum.

Em todo o caso, seja numa perspectiva individual seja ponderando a opção em casal, o arrendamento de uma casa é um momento fundamental na vida de cada um. É muito importante, perceber, se essa decisão cabe na estrutura financeira do casal, ponderando a taxa de esforço máxima, tipicamente, entre os 30% e os 40% do rendimento líquido do casal ou da pessoa individual. Porém, não se trata de uma operação aritmética, mas antes da ponderação global da situação financeira: que tipo de vínculo laboral têm os elementos do casal? Qual a duração do contrato? Como compara a renda pedida com os preços praticados para habitações semelhantes? Arrendar naquela freguesia vai incrementar outros custos do casal, por exemplo, em combustível?

Propomos, antes da tomada de decisão, uma miniauditoria financeira às contas da pessoa ou do casal, para que a opção seja o mais racional possível. Claro, se a opção for a aquisição de um imóvel, a necessidade de ponderação é ainda superior, cumprindo verificar outros aspetos relevantes, por exemplo, o spread, o número de anos do empréstimo, a capacidade de amortização, o efeito do pagamento da entrada na poupança do casal.

Depois, os contratos. O foco, normalmente, está na duração do contrato de arrendamento e no valor da renda. O resto das cláusulas passa ao lado. Mas existem, não raras vezes, pequenas nuances que podem fazer toda a diferença. Em muitas ocasiões, uma cláusula mais inocente, seja no arrendamento seja, exemplificativamente, num contrato promessa de compra e venda pode configurar um problema complexo com impacto pessoal e patrimonial para o casal. Estamos cá para ajudar!