Na verdade, o divórcio não é hoje visto sob a lente catastrofista que vigorava há umas décadas. O divórcio pode bem ser o “trampolim” que permite iniciar um caminho de volta à “linha de água”, um primeiro passo para readquirir o nível de felicidade que, claro, todos buscamos.
O divórcio pode, porém, ser uma das experiências mais dolorosas da nossa vida, existindo, inclusivamente, alguns estudos, que o apontam como o segundo momento mais stressante da vida, logo após a perda de alguém próximo. Não é, pois, como beber um copo de água.
Na verdade, um divórcio implica perdas. Pode significar que perdemos parte dos nossos bens, conexão com amigos comuns ou com a família do outro cônjuge, enfim, tempo com os nossos filhos. Implica, igualmente, angústia sobre o futuro e sobre um novo eu que necessariamente surgirá.
Assim, a resposta à pergunta colocada no título deste texto tem de ser afirmativa. Sim, vale a pena prevenir o divórcio. Existem sinais claros de durabilidade ou não durabilidade da relação amorosa. Temos disponíveis ferramentas para incrementar, ou pelo menos, tentar incrementar, a duração da relação e, mais importante que isso, a qualidade da relação.
A resposta teórica é fácil: a relação dura mais se os custos de estarmos nessa relação diminuírem. Mas na prática o que é que isso quer dizer? É fácil entender como eliminar custos de um orçamento familiar, mas como é que se isso aplica a uma relação amorosa?
Muitas pessoas quando enfrentam problemas na relação procuram a denominada terapia de casal, sem dúvida, uma ferramenta interventiva muito importante, que deve ser realizada por um profissional habilitado para o efeito (psicólogo, psiquiatra, etc.). O objetivo, aí, é tratar dificuldades emocionais, comportamentais, muitas vezes, processar acontecimentos traumáticos que estão “lá atrás”.
O mentoring relacional ou mentoring familiar têm outro foco: as competências, as estratégias, o atingimento de objetivos futuros e presentes. Não pressupõe a existência de qualquer patologia ou problema clínico. E é útil em todos os momentos: alguém que por algum motivo, não consegue singrar em relações duradouras, um casal que não se está a adaptar bem a um novo desafio, por exemplo, a parentalidade, ou a reorganização familiar num contexto pós divórcio.
É aqui que atuamos. Seja, numa perspetiva individual, seja numa perspetiva de casal.
Vamos baixar os custos da tua relação?